top of page
Buscar

VOAR

  • 6 de ago. de 2023
  • 2 min de leitura

O que é liberdade? Para mim a verdadeira liberdade é voar. Uma resposta infantil talvez, irreal com certeza, mas triste na verdade, afinal, se voar para mim é ser livre, livre nunca irei ser.

Estamos presos aqui pela gravidade e não importa o que façamos, sempre estaremos presos a algo, a alguém, a problemas. Aqui embaixo estamos sempre em guerra, sempre com a guarda alta, preparados para atacar e se defender. É uma batalha constante até contra nós mesmos. Insegurança, depressão, rancor, ressentimento, ódio, tudo isso nos empurra para baixo, nos afundando até o ponto de não conseguirmos mais suportar tantos sentimentos ruins juntos, daí seremos enterrados mais fundo ainda, a sete palmos da terra.

Por isso eu queria voar para longe disso tudo. Dançar nas nuvens, rasgar o céu em disparos incríveis e ousados, sentir o bloco de ar que eu deveria de nadar contra para poder alcançar o céu. Lá em cima me sentira livre. Sem prazos, sem estresse. Somente a existência e a não-existência. Queria enxergar de lá de cima para perceber que aqui em baixo as coisas são minúsculas. Os problemas são tão pequenos e triviais que lá do alto não passariam de pontinhos pretos perante a imensidão libertadora do céu.

Eu não precisaria me preocupar com aparência, já que lá no alto não teria ninguém para me ver. Não precisaria agradar ninguém, nem mesmo a mim mesmo. Me amaria de verdade, me amaria, pois, teria conseguido algo que bilhões tanto desejam: Paz.

Voaria rápido, não mediria esforços. Apostaria corrida com os aviões e tudo bem se eu perdesse, afinal ainda estaria em meio as estrelas quando escurecesse. Eu viveria o hoje e não o amanhã. Não existiria o amanhã, só o sol e a lua reinando acima de mim, e em ambos eu estaria voando como um foguete, a milhão, a sensação de tirar meus pés do chão. Continuaria subindo mais e mais, e mesmo após sentir que o frio do espaço começasse a me impedir de respirar, eu continuaria. A morte no céu seria a morte mais próxima ao nascimento que existe: Sem preocupações ou arrependimentos.

Se eu pudesse voar nunca mais voltaria. Talvez seja egoísmo ou ingratidão da minha parte, mas no céu, sinceramente, isso não importaria. Ou talvez importasse.

Talvez no céu seja um lugar solitário. Seria só eu e as nuvens. Paz no começo com certeza, mas teria momentos em que eu gostaria de caminhar com minhas pernas. Sentir o sangue se esforçando ao máximo para correr. Na verdade, estar na terra não me desagrada. Afinal, só estando com os pés no chão tenho sustentação para escrever, e quando escrevo é quando voo para meu próprio mundo, por mais solitário que seja.




 
 
 

Comentários


Bestiário Espirais do Medo

  • Pinterest
  • Instagram
bottom of page