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DECADÊNCIA Ato II- Prisioneira

  • 4 de ago. de 2023
  • 11 min de leitura

Atualizado: 16 de ago. de 2023

Ezikiel enxerga sua felicidade e gentileza como fontes esgotáveis, ou seja, depois de algum tempo, ele simplesmente não consegue mais ser o mesmo. Não entenda errado, ele não finge felicidade, pelo contrário, ele mantém sua alegria e pureza de forma genuína com todos a sua volta, porém essas doses características de sua personalidade acabam uma hora, restando apenas um vazio gigantesco no seu peito.

Nesses momentos de escassez ele vai até um acampamento perto de um lago quase saindo da área de sua facção. Ele aceita correr esse risco. Nesse lugar só há uma cabana minúscula de madeira frágil com um quarto simples, um lago extenso e cristalino logo ao lado e uma cadeira de praia com uma vista maravilhosa.

Seu irmão achou esse lugar. Ezikiel e Kaleb costumavam sair em aventuras próprias em momentos de descanso, sem ter necessariamente relação com a facção Refflesia. As aventuras não tinham objetivos. As vezes eles voltavam com tesouros, as vezes com armas, as vezes com apenas histórias incríveis para contar. Eles passavam a noite nesse ambiente restaurador inventando histórias e pensando em formas de luta.

Kaleb desenvolveu sua habilidade muito cedo, aos sete anos. Disparar com estilingue era algo incomum e exótico, a “cara de Kaleb” como o irmão dizia. Por sua vez, Ezikiel sempre fora indeciso sobre qual habilidade ou arma escolher. Seus pais morreram muito cedo, quando Ezikiel ainda era um bebê. Seu irmão nunca lhe disse muita coisa, mas Ezikiel não se importava. Ele tinha o irmão ao seu lado, era isso que importava. Ele tinha.

Desde aquele dia, oito anos atrás, Kaleb não voltou para casa. A principal teoria do líder era a de que Kaleb foi morto pela facção Luciferiana. Que Leraje, o demônio atirador, matou seu irmão. Depois dos dois primeiros anos de procura incessantes, o pessoal da facção Refflesia desistiu. O líder fez uma lápide e um enterro simbólico em homenagem a Kaleb. Uma lápide com nada embaixo. Uma farsa. Ezikiel ainda não desistiu de procurar o irmão, porém demora cada vez mais para fazer uma busca de somente quatro horas antes de voltar para casa. Esses pensamentos, sobretudo a feição morta de Beatriz esgotava rápido seu ser, o que o fazia ir até essa pequena cabana no meio do nada para restaurar as forças.


Enquanto olhava para água, viu de longe um senhor de sobretudo prateado com calças brancas e um chapéu pontudo branco se aproximando. Ele reconheceu que é um membro da facção dos mensageiros. Embora todas as facções do mundo concordem em não matar ou atacar nenhum membro da facção dos mensageiros, ainda era perigoso ele vir sozinho. Deveria ser uma mensagem importante.

-Olá meu bom senhor- disse o velho mensageiro.

-Oi. Está tudo bem? Está ferido?

-Não, não estou não. Muito obrigado pela gentileza. Tenho uma carta do líder da facção Refflesia, Noah Olsen.

-O líder mandando mensagens? Essa é nova. Como me achou, senhor?

-Segredos da facção, menino, hehe.

Ezikiel sabia que os mensageiros nunca revelariam suas habilidades surpreendentes de localização de destinatários. Mas não custava tentar.

-Aqui.

-Obrigado. Boa viajem de volta!

-Obrigado, meu bom senhor!

Ezikiel abriu o envelope branco e leu a única frase contida no papel:

“Kaleb está vivo”

A facção Luciferiana havia sumido depois daquele dia. Focalor, Leraje, Raum e todos os membros mais fortes, incluindo o líder Lúcifer, haviam simplesmente desaparecido. Seus acampamentos foram evacuados. Nenhuma facção vizinha ou membros distantes da Refflesia tinham notícias sobre eles. Eles sumiram junto com seu irmão. Pelo menos até agora. Ele entrou na cabana, pegou com cuidado o corpo comprido de Alfredo, que tirava uma soneca em cima da cama, e partiu em direção de volta para casa.


Para afirmarem que Kaleb está vivo, devem ter capturado alguém dos Luciferianos.

Quem eles pegaram? Seria possível que Kaleb já estivesse junto com eles, esperando pelo irmão? Todas essas perguntas fervilhavam na cabeça de Ezikiel enquanto ele corria de volta até o acampamento de Refflesia.

Chegando quase antes do pôr do sol se acabar, Ezikiel foi recebido por Ravi Extendere, um jovem homem de vinte anos com cabelo castanho escuro até a altura da nuca com feições preocupadas. Ravi sempre foi ansioso e assustado com tudo, então Ezikiel não sabia dizer se ele estava condizente com sua personalidade ou realmente aflito com alguma coisa.

-O líder contou sobre Kaleb. Ele está aqui? Está bem?

-Oi Ezikiel. Oi Alfredinho. Eu não sei de muita coisa, só que minha irmã capturou alguém infiltrado aqui no acampamento.

Selina Extendere, ou como é conhecida, a mulher espada, é uma das mais fortes guerreiras de Refflesia. Se alguém pudesse capturar um membro da facção Luciferiana, seria ela.

-Selina? Ela está bem?

-Pelo o que sei sim. Não estava nessa luta.

-Onde ela está?

-No subsolo. Selina e o líder usaram o depósito velho como prisão. Tive que tirar meu computador de lá pra isso.

Por serem extremamente raros e diferente de tudo nesse mundo, Ravi é obcecado por tecnologia. Durante anos eles colecionou peças e partes mecânicas para poder montar seu próprio computador. Com toda certeza ele é o mais inteligente de Refflesia.

Ezikiel desceu as escadas até o depósito velho com uma infantil esperança de encontrar o irmão dizendo coisas como “Faz tanto tempo” ou “Eu voltei, tá tudo bem agora”.

De frente com a porta, Ezikiel bateu e se identificou. Selina a abriu. A mulher espada está com diversas faixas por todo o corpo e com diversas ataduras que cobrem marcas de corte e queimaduras, mas mesmo assim ela mantém um sorriso vitorioso nos lábios. Com curtos cabelos loiros com mechas rosas na ponta, Selina veste uma regata branca com colete por baixo, deixando os braços musculosos propositalmente à mostra.

-Opa, eai Eziki, tudo em cima? Pegamos um dos safados.

-Quem? O Kaleb tá aqui?

Ezikiel percebeu que deixara a pergunta óbvia de “você está bem” de lado. Sentiu uma ligeira culpa.

-Infelizmente não, mas a prisioneira aqui disse ter o visto.

-Ezikiel, bem-vindo. Gostaria que você conversasse com a nossa prisioneira.

O líder se apresenta como uma figura intimidadora. Com um metro e noventa e dois, cabelos pretos curtos e com uma barba com base redonda cheia que cobre boa parte da bochecha e completamente o queixo.

O líder usa uma camisa branca de mangas compridas com detalhes vermelhos e uma faixa de tecido preto amarrada no peito. Ele também veste uma capa preta amarronzada longa com capuz e uma espécie de cinto que contém suas armas, como a sua corda elástica e uma espingarda trabalhada num aspecto requintado e vintage.

-Ela é mesmo uma Luciferiana?

-Não sei. Selina disse que ela estava infiltrada no acampamento, vigiando nossa casa.

-Ela estava espionando para eles?

-Não sei, a garota não fala nada. Queria que me seguisse, Ezikiel.

Caminhando até um quarto com a porta trancada, o líder a destranca. Atrás de grades de ferro improvisadas e amarrada com a corda elástica do líder uma garota de aproximadamente vinte anos se encontra sentada no chão, olhando para frente sem nenhuma expressão nos olhos. Ela tem longos cabelos vermelhos até a altura da lombar. Veste uma blusa com mangas compridas tingida em detalhes cianos num tecido preto, com calças complementando a peça de cima e uma máscara de pano com um símbolo que consiste em um grande quadrado ciano com dois outros menores em suas laterais.

-Iríamos amordaçar a maluca aí- disse Selina ao chegar na sala- mas quem disse que ela deixou a gente tocar na máscara. De toda forma ela parece muda, então tanto faz.

-Ezikiel- líder se preocupou em sussurrar para que a prisioneira não ouvisse- violência não nos deu nada em relação a ela. Talvez você consiga. Seu jeito.

-Ela não parece ruim. Parece... perdida.

Analisando a garota, Ezikiel enxergou nela certa semelhança com o irmão. Ambos parecem muito fortes e impiedosos, porém bons de coração. Talvez estivesse enganado, mas seu lado gentil insistia que não. Ezikiel notara marcas de ferimentos na garota, além dos que Selina havia causado. Ele se aproximou com cuidado das grades para poder enxergar a garota melhor.

-Você não faz parte da facção Luciferiana, né?

A garota não moveu um músculo.

-Selina, Líder, podem nos deixar sozinhos?

-Certeza Ezikiel? Tome cuidado.

Após fecharem a porta, Ezikiel se deu conta de que analisara a garota por muito mais tempo do que deveria, o que o deixou vermelho de vergonha. Voltando a si, ele estava genuinamente curioso, assim como uma criança com um quebra cabeça.

-Seu nome é Ezikiel, garoto? – A mulher perguntara de forma casual.

-É sim, moça. E você é?...

-Kífora.

-Prazer. Sua roupa é bonita. O preto com ciano fica legal. O que o símbolo na máscara quer dizer?

-Seu pessoal precisa sair daqui o mais rápido possível.

-Por que? Como você sabe meu nome?

Com um pequeno ruído abafado que logo se transformou num som ensurdecedor, uma enorme explosão no centro do acampamento abalou toda a estrutura subterrânea do depósito. Logo, tiros e sons de batalha começaram a ser ouvidos, juntos de um som gutural de grito monstruoso. Alguma criatura havia invadido o acampamento.

-Merda. Ele chegou.

-Ele?

Selina entrou rapidamente no depósito já desembainhando as duas katanas que usa em combate.

-Tem alguma coisa no acampamento Ezikiel. O líder já foi. A menina desembuchou alguma coisa?

-O nome dela é Kífora.

-Majestoso. Agora vamos, precisamos acabar com o presentinho que sua amiga Kíf-sei-lá-das-quantas trouxe.

Ezikiel e Selina subiram rapidamente as escadas e atravessaram a área interna até chegar no centro do acampamento de onde o barulho de batalha se concentrava. A visão que ambos viram foi aterrorizante.

Uma espécie de coração de um metro interligado por veias e artérias com quatro membros de cartilagem roxos que simulam de forma bizarra dois braços e duas pernas musculosas. O coração, no meio de tudo, está envolto do que parecia ser veias o protegendo dos tiros dos membros mais fracos da Refflesia. Ele está parado no meio do acampamento com as “mãos” na “cabeça” esfregando as “têmporas” e emitindo uma espécie de choro insólito. Numa posição quase fetal ele parece desesperado em meio a uma crise de pânico.

-Mas que porra que é essa? - As falas sincronizadas de Selina e Ezikiel tiveram um efeito na criatura, que olhando de relance para eles afastou o escudo de veias do “rosto” deixando à mostra o nítido coração humano pulsante. Um liquido avermelhado parecia escorrer do que deveria ser os olhos dessa coisa.

-PaRa QuE tAntO bArUlho? Eu tô com muITo meDo de não coNseGuiR...

A voz do monstro parecia não sair de uma região especifica como uma boca, mas sim por toda sua extensão, como se ele em si estivesse emitindo falas pelo corpo todo. Além de rasgada e oca, sua “voz” parecia genuinamente amedrontada e temorosa, quase implorando por piedade. Doutora Espinoza acertou um tiro em sua perna que fez com que boa parte da cartilagem se partisse. Instantaneamente, a coisa mudou de aspecto. Com uma postura mais reta e flexível, ele se ergueu da antiga compostura curvada para uma mais agitada.

-Já sei! Só tenho que transformar todo mundo aqui numa bolha sangrenta de felicidade!

Num só soco, a criatura arremessou a doutora cerca de sete metros de distância dali, desferindo um golpe na barriga e a fazendo vomitar sangue. Ezikiel se enfureceu e partiu para cima da monstruosidade sem nem pensar. Selina correu atrás com intenção de o proteger do golpe praticamente fatal que a coisa iria afligir sobre ele. O coração ambulante então ergueu os dois braços acima da “cabeça” para um golpe de arrasador sobre o garoto afim de esmaga-lo no chão, porém, como um raio, o líder se jogou em Ezikiel e Selina, conseguindo também esquivar do golpe, salvando os três. A potência do ataque transformou a planície do chão em uma pequena cratera que obrigou o monstro a recuar.

Devido a toda essa movimentação, o coração não percebeu que líder havia rapidamente se posto atrás dele e que mirava sua espingarda diretamente em sua “face”. Ele também havia esquecido que recolhera o escudo de artérias. A arma do líder não funciona com pólvora, logo suas balas não causam um efeito explosivo ao atirar. Na realidade, líder usa de balas de ar. Imensas pressões de ar condensadas em pequenas esferas que ele usa como munição. Num único tiro, líder devastou cerca de 75% do “rosto” da criatura, sendo que com outros três tiros ele despedaçou seus braços e uma perna. Não arriscando mais do que isso, líder deu um pulo para trás recarregando a espingarda de ar. Olhando ao redor, procurando por feridos, líder viu Ezikiel e Selina correndo até ele.

-Vejam como a doutora está! Já cuidei de tudo por aqu...

-Oh nÃo... eU jÁ fUi dErRotaDo? devo sER uMa DecEpçÃo meSMo...

Com uma fumaça saindo de todos os ferimentos, a criatura-coração se levantou e rapidamente desferiu um soco potente no líder, tão forte quanto havia dado na doutora. Mesmo sendo pego desprevenido, líder não foi arremessado mais do que um metro para trás. O soco pegou em cheio na sua boca, o fazendo cuspir um pouco de sangue no chão.

-VOcÊ é RáaPidO cAraA... nãoO cOnsEgui te aComPaNhaR...

-Mas o que que é isso? -líder nunca havia enfrentado algo assim. A fumaça que se dispersava aos poucos dos ferimentos revelava que as partes atingidas haviam se regenerado completamente. Ezikiel e Selina estavam tão perplexos quanto o líder, mas foi Ezikiel quem conseguiu se mover primeiro. Pulando nas costas da coisa, Ezikiel tentou rasgar com as mãos as ligações de veias que ligam os braços ao coração. Enquanto isso, líder preparava outro tiro novamente no “rosto” da criatura se esforçando para não acertar Ezikiel. Selina correu rapidamente desferindo cortes em partes especificas da perna do monstro-coração para o fazer se ajoelhar e ficar mais aberto a golpes, o que o fez tombar em direção ao líder que enfiou a arma direto no coração. No mesmo tempo em que líder atirou, Ezikiel conseguiu rasgar as ligações do braço com o corpo-coração principal, fazendo o braço esquerdo cair ao lado de Selina. O tiro de ar abriu um buraco na parte direita do coração. A criatura então começou a rir escandalosamente.

-Quee divertido! Adoooro brincaar com nooovos amiigos! Quereem ver um truuquizinho?

As artérias que serviam como um escudo de rosto começaram a se rastejar para as costas da coisa, se remodelando num formato espinhoso. Ezikiel vendo isso saltou para longe.

Formando três espinhos de artérias nas costas, a base ficou mais flexível e num formato de cabo. O monstro-coração projetou três espadas com a própria massa corporal. Formando outra espada na mão que lhe restava, as artérias do braço caído buscaram a base cortada para se reconectar.

-EZIKIEL! A DOUTORA! -Líder estava desesperado, mas mesmo assim se preocupava com o bem-estar de Espinoza.

Ezikiel tentou ignorar o monstro e foi correndo até onde Espinoza fora arremessada. Numa casa, agora em destroços, Espinoza estava jogada no meio da sala com a mão na barriga, tendando conter a dor ao respirar.

-Doutora! Você está bem?

-O que?... Não liga pra mim... protege ele... por favor... protege meu menino...

-Do que você está falando, doutora?

Ezikiel viu de canto de olho a criatura pulando sobre o antigo depósito, abrindo mais uma cratera onde a prisioneira estava, provavelmente a matando.

-Ezkiel – Doutora reunia todas as forças para conseguir falar em alto e bom som- protege o meu Kaiser... por favor...

-Vamos sair daqui doutora, você precisa de uma... doutora. Talvez Ravi esteja de plantão, vamos lá.

Enquanto isso, o monstro-coração parecia novamente assustado e tentou pular para longe do líder e de Selina, mesmo carregando as espadas que acabara de ter criado. Num passo em falso, ele acabou tropeçando e caindo em cima do antigo depósito.

-Qual é a desse bicho? -Selina já não sabia mais o que pensar- Ele quer lutar ou correr?

-Ele não está pensando direito. Ele é muito forte. Barutir seria de imensa ajuda agora.

-É, mas ele não tá aqui, tá? A gente consegue, líder.

Ambos recuaram quando ouviram um berro raivoso vindo dos destroços na cratera. O coração pulou para fora desferindo diversos ataques sem nenhum ponto especifico, apenas destruindo tudo que suas cinco espadas tocavam. Parando por um tempo, a criatura disse aos berros:

-FRACOS! FRACOS! FRACOS DEMAIS!

-O que é você!? O que quer!? -Líder tentava gritar mais alto que a monstruosidade diante dele.

-Ele é um membro de uma facção desconhecida. Ele quer matar você, líder da Refflesia.

A voz calma e tranquila de Kífora saindo de baixo dos destroços sem nenhum arranhão deixou o coração ainda mais possesso.

-PARA DE ME ENGANAR! VOCÊS SÃO FRACOS! FRACOS DEMAIS!

Kífora passou por de baixo do ataque do coração com as espadas, conseguindo alcançar suas costas e se pendurar nele. Da ponta dos seus dedos, alguns fios alaranjados foram disparados e com movimentos de saltos começaram a envolver toda a criatura.

-Vão para longe! Essa onda vai gerar uns 2000 de força explosiva!

Líder auxiliou Selina a se afastar enquanto um movimento de mãos de Kífora simularam a puxada de um pino de granada. Uma explosão intensa devastou toda a área onde o antigo depósito estava, numa enorme cortina laranja e amarela de fogo que consumiu os dois dentro dela. Líder e Selina encaravam a enorme explosão perplexos e confusos. Após a explosão cessar, líder conseguiu ver a silhueta da criatura pegando fogo fugir dali enquanto chorava histericamente. Kífora parecia bem e intacta. Ezikiel chegou perto carregando a doutora pelo ombro. Ele perguntou de forma assustada:

-Quem foi que mandou você?

-Kaleb Cooper. Seu irmão.






 
 
 

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