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O ASSASSINO DA PÁSCOA

  • 6 de mai. de 2023
  • 4 min de leitura

Você chegou até aquela casa. A casa onde seis crianças foram torturadas e mortas pelo sádico Antônio Santos, ou como ficou conhecido depois de toda a história: O Assassino da Páscoa. Entrando no casebre, é como se todos os sentimentos tristes e assustadores das notícias que saíram nos jornais da época se materializassem numa casa. As paredes eram sujas, o chão ainda com manchas velhas de sangue.

Móveis já carcomidos pelos cupins e manchas de vazamento de água por praticamente todo o lugar.

Você acompanhou de perto quando as notícias saíram nos jornais impressos. Antônio Santos, um psicopata que conseguiu um emprego num shopping como


"Coelhinho da Páscoa”, que com uma fantasia rosa de coelho tirava fotos com as crianças numa poltrona no centro do shopping, sequestrava e as torturava. De alguma forma, Antônio drogava as crianças, seja por odores da própria fantasia, colocando comprimidos na bebida ou simplesmente as nocauteando quando ninguém estava por perto. Os pais eram os primeiros a “sumir” para que o Assassino da Páscoa deixasse a criança adormecida no shopping até o horário de fechar, se certificando que ninguém apareceria à procura do filho. Ele deixava a criança perambular pelo enorme shopping em busca de ajuda enquanto o sádico desgraçado observava de longe, somente para a perseguir e a capturar no fim da madrugada, a levando para a sua casa isolada na floresta.

Lá, ele fazia uma espécie de jogo doentio com as crianças que sequestrava: Procurar por ovos de páscoa escondidos pelo lugar, com a promessa de ir embora para quem os achasse. Porém, não havia ovos para todos. O que significava uma disputa entre as crianças, onde, de acordo com a maioria das autopsias divulgadas, ocorria o maior estrago. Elas lutavam entre si na esperança desesperada de fugir daquele lugar.


No fim, a criança que achou os ovos, pelo preço de esfaquear dois meninos, fora Júnior, porém, o coelhinho da páscoa não permitiu a saída do garoto daquele inferno. Ao invés disso, Antônio esquartejou o menino com uma foice enferrujada, separando as partes do corpo pela casa. O ápice de seu sadismo maluco e mentalidade perversa foi colocar ovos de chocolate dentro dessas partes: Dentro da boca na cabeça deixada na sal


a de estar; entre os dedos no braço colocado em cima do armário da cozinha; enfiado no tórax bem de frente com a porta de entrada.

Os policias se horrorizaram com a cena ao chegar no local, porém, não muito esforço foi necessário para capturar o Assassino da Páscoa. Ele mesmo se entregou. Aparentemente, Antônio se arrependera das coisas que fez e se entregou de forma voluntária. Havia medo em seus olhos. Ele foi julgado e sentenciado a mais de trinta anos de prisão, mas foi morto pelos outros detentos na cadeia. Espancado até a morte.


Todo esse conhecimento sobre o caso, o sentimento ruim e ansiedade inexplicável crescem no seu peito. Mas a necessidade de achar mais informações sobre esse caso e publica-los no seu jornal te instiga a continuar. Em algumas paredes você encontra adesivos de coelhinhos, ovos de páscoa, cestas de presentes e chocolates, acompanhados por machas de sangue. Chegando ao segundo andar, você nota algo curioso. O tempo fez com que uma porta escondida numa das paredes se revelasse. Ela deveria estar bem disfarçada, deve ter passado despercebido pelos policias.

Entrando, você segura a ânsia de vomito. O fedor é terrível. Muito sangue seco e cheiro de barata acompanham esse ambiente. Nele, tem uma mesa com uma foice enferrujada, a arma do crime, e alguns papéis. Alguns armários nas paredes e uma gaveta já quase desabando na esquerda.


Os papéis logo em cima da mesa parecem ser as papeladas da sua admissão no shopping. Nos armários ao lado você encontra uma caixa de sapatos. Pegando-a, você encontra dentro algumas fotos reveladas das crianças que tiraram foto com ele no shopping. Você vê Junior, sentado no colo de Antônio. Ele parecia feliz. Na gaveta mais à esquerda você acha algo confuso. Um RG. Thomas é o nome. Prestando mais atenção, você percebe que a papelada de admissão na verdade está no nome desse Thomas. Isso não faz sentindo. Saindo finalmente desse inferno, você dobra o corredor e entra no que parecia ser o quarto do Assassino da Páscoa. Você procura minuciosamente pelo quarto. Nada de relevante é visto, mas quando você está indo embora, algo te chama atenção aos olhos. Um desenho infantil, de baixo da cama.

Nele tem desenhado duas crianças, uma delas com uma cesta de páscoa nas mãos. Embaixo do desenho temos nomes delas, como se fosse uma assinatura. “Antônio” e “Thomas”, com um subtítulo de “Páscoa de 1979”.


O que? 1979 foi quando Antônio nasceu. Ele tinha um irmão? E por que o irmão que segura a cesta de ovos é o Thomas? Quais as chances de Antônio não ser o Assassino da Páscoa e ter se entregado no lugar do verdadeiro assassino? Mas quem seria? Thomas? Na realidade faz até mais sentido ser o Thomas. No histórico mental da família, Thomas já havia apresentado sinais de loucura e psicopatia. Você mesmo escreveu essa matéria. Mas se Antônio é quem foi preso e morto, o verdadeiro assassino ainda está a solta? Talvez algo terrível esteja para acontecer, afinal, quando você saiu do quarto e desceu as escadas, viu o que pareciam ser orelhas rosa de coelho do lado de fora, te observando. E o que é aquilo parado na porta? Um ovo? Estamos em abril certo? Bom, talvez a caçada aos ovos de páscoa tenha retornado.


 
 
 

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