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REZERO

  • 1 de mai. de 2023
  • 4 min de leitura

Bom dia! Que bom que acordou! São oito da manhã e está fazendo um dia lindo lá fora! Você se levanta, escova os dentes com aquela pasta vermelha que você comprou e desce até a cozinha. Você toma o café da manhã: Pão com ovos. Você veste aquela camiseta florida azul e se prepara para mais um dia de correria. Você vai andando rapidamente pela calçada, quase chegando até a empresa em que você trabalha. De frente a ela, você só precisa atravessar a rua. Indo sem nem mesmo olhar para os lados, você se apressa, já que está atrasado. O movimento está bem calmo para uma segunda feira. Não tem nenhum carro a vista. Porém, antes de pisar na calçada, você escuta um assobio cortar o vento, como se algo muito rápido avançasse depressa. Antes que você consiga sequer ver

o que é, algo te atinge, fazendo um baque abafado. Um carro, que surgiu do nada, a mais de 180 km por hora te atinge em cheio. Seu corpo é espalhado pelo asfalto, indo cada pedaço de carne para um lado. Seu tórax permaneceu grudado no vidro


da frente devido ao impacto brutal. Tudo se apaga e o mundo se torna uma sombra. Você morreu.


Um som pode ser ouvido por você, bem distante. Um som rítmico e constante, que pareceu durar um milissegundo e uma eternidade ao mesmo tempo. “Tic Tac”. Bom dia! Que bom que acordou! São oito da manhã e está fazendo um dia lindo lá fora! Você se levanta e... espera, tem algo errado. Isso já não aconteceu? Fora um sonho, provavelmente, um sonho extremamente realista e dolorido. Você sente uma fisgada no seu peito que alcança todo o tórax.

Bom, você ignora, escova os dentes com aquela pasta vermelha e desce até a cozinha. Você toma o café da manhã: Pão com ovos. Você veste aquela camiseta florida azul e se prepara para mais um dia de correria.

Chegando (novamente?) até de frente com a empresa em que você trabalha, você olha pros lados. Atravessando a rua, você decide andar mais rápido (O carro, ele está vindo! Vá depressa!) para chegar até a calçada. Você suspira aliviado, isso até um carro acima da velocidade passar rasgando o ar atrás de você. Se você tivesse demorado mais um segundo você teria sido atropelado com certeza. O que isso significa? Uma espécie de premonição? Você entra na empresa pronto para trabalhar.


Em um dado momento o computador no qual você fica parece falhar. Um problema elétrico acaba com todo o abastecimento de energia do lugar. Você vai até o painel de força, afinal é sua especialidade. Você fica mexendo nele um tempinho, concertando alguns fios e ajeitando os fusíveis. Seu colega de trabalho, Tommy, vem até você oferecendo uma bebida. Você recusa por educação. Ele diz algo como “Mais pra mim” e começa a ir embora, até que ele tropeça num dos cabos jogados pelo chão e arrebenta os joelhos contra o azulejo. Você o pega e apoia as costas no painel, que você esqueceu aberto. Porém, quando Tommy caiu, ele derrubou toda a bebida no chão, criando uma poça em volta de você. De repente, a energia volta a funcionar, com suas costas expostas no maior painel de energia da empresa e uma poça de água aos seus pés. Você toma um choque descomunal, se debate e cai no chão. Você sente o mundo escurecendo (de novo?) e seu corpo se rasgando devido a energia nele posta. Você morreu. Novamente, o som do “Tic Tac” é escutado, mas dessa vez, um pouco mais perto. Bom dia! Que bom que acordou! São oito... espera... isso definitivamente não está certo.


Você morreu duas vezes? Dessa vez, além do tórax dolorido, todo o seu corpo parece formigar. Você escova os dentes com a pasta vermelha, mas decide não comer nada dessa vez. Você também veste a camiseta vermelha ao invés da azul florida, como se essa diferença te desse esperança de um final sem uma morte trágica. Você toma o caminho mais longo, aquele em que você não atravessa a rua. Além disso, ignora completamente quando a energia acaba. Na realidade, você deixa que Tommy vá verificar, e antes dele ir, ele abandona o copo que estava segurando, o mesmo que ele havia te oferecido antes. Quando ele volta você decide perguntar se ele já tomou esse mesmo copo de água antes e te ofereceu, mas ele faz uma piadinha e vai embora. Seu turno acabou, a noite já reina no céu. Voltando para casa, você sente um alivio de que nada trágico te ocorreu. Até você sentir algo gelado nas suas costas seguido pela frase “Passa tudo”.


Um assalto? (claro que é um assalto. Você vai morrer de novo). Uma pessoa encapuzada, segurando uma pistola nas suas costas, estende a mão esperando sua carteira e celular. Com muito medo, suando frio e quase chorando, você implora pela vida. Até mesmo o assaltante não esperava uma reação tão desesperada. O som da sirene da policia o assusta, fazendo com que um espasmo o faça, acidentalmente, puxar o gatilho. Você tomou um tiro bem no estômago. O criminoso sai correndo e ao fazer isso, um dos policiais o persegue, enquanto o outro tenta te socorrer. Sua visão vai ficando distante, enquanto a bala projetada contra a boca de seu estômago te estraçalha por dentro. O policial que tenta te ajudar, jovem, cerca de vinte anos, chama uma ambulância. Por ser tão jovem, talvez ele não tenha tanta experiência em primeiros socorros. A ambulância chega, mas antes de a maca chegar perto de você, tudo se apaga e fica frio. Você morreu. O “Tic Tac” se aproximou consideravelmente. Bom dia!


Hoje é o dia em que você morre, mas a morte não vai ser o seu fim. Você volta, mas não inteiro. Até quando seu corpo vai aguentar tantas dores “pós morte”? De toda forma, tente evitar que você morra, caso contrário, uma dessas mortes pode ser permanente.



Confira a ficha técnica de rpg do "Rezero" nas minhas redes sociais.


 
 
 

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